quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Fim e afins


Tenho andado devagar,
à divagar ,sobre que fim teria levado os fins.
Tenho redigido, colocado sentimento, expondo o íntimo
e ao fim,
descobri que não existem mais fins,muito menos afins.
Para onde,teriam ido todos eles? 
Tenho acreditado,que os fins podem ser como a tinta; 
Forte e vibrante no inicio e com o tempo acaba por perder a cor,
a graça e o encanto. 
Teria o fim,perdido o encanto?
Teria o fim,perdido a razão de ser fim?
Justo no fim?

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Insônia



É madrugada;
quando a cidade adormece e as luzes das ruas permanecem ligadas.
Eu permaneço aqui, degustando mais um gole desse líquido amargo.
Quando me dou conta de que tenho companhia,
Vejo-os em toda parte e sei que vieram me visitar.
Não consigo pregar os olhos,nem mesmo consigo nutrir a esperança por um sonho ou por apenas um pesadelo.
Em contrapartida eu penso.
Não consigo parar de tentar relacionar as tramas desses meus pensamentos soltos e quanto mais faço isso, mais distante de adormecer eu fico.
E por aqui,eu fico;
desejando,não ter visto as luzes artificiais se apagarem,pra dar lugar aos raios de sol;
nem ter ouvido o barulho dos carros ficar cada vez mais alto,nem ouvir os passos rápidos,de quem vai pra mais um dia de trabalho.
Desejo tanto não ter ouvido e visto o anunciar desse novo dia.
E,nesse novo dia, quando todos os fantasmas se foram,
eu permaneço sozinha com meu copo vazio e meu sono,agora incontrolável ,a dormir nesta manhã.
Porque pra sempre é muito tempo.
Eu, prefiro o Por Enquanto.

O pianista


Tocando o piano,estava;
Seus longos dedos finos,deslizavam graciosos sobre as teclas do instrumento.
O som produzido enchia a casa grande e escapava pelas janelas e portas.
Tão admirada estava de ti,que me esqueci do tic-tac das horas.
Quis dançar,e logo me deixei levar .
Sua música me tomou pelas mãos e me carregou pro salão;
fechei meus olhos e já estava a bailar,
em passos ritmados e muito bem coordenados por sua destreza em conduzir.
O ritmo foi se acelerando e com ele meu coração,que se pôs a aguardar ansiosamente pela nossa aproximação,ao tempo em que palpitava descontroladamente por medo da chegada do fim da melodia,
e com ela chegasse o fim de meu devaneio .

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Sol


O sol deixa seu torpor,
para ascender cada vez mais alto; 
Para aquecer nossos corações frios,
que de tão frio,nos fez esquecer que existe calor,
o calor das emoções e das relações.

Tão acostumados estávamos à penunbra que não nos demos conta 
É dia! 
Está claro;
e  claro está pra mim,
que precisamos uns dos outros.

Estivemos acostumados ao vazio da escuridão,ao silêncio assustador,à solidão
à fechar os olhos pro outro e a  ignorar os sentimentos,
que nos esquecemos de como é um abraço;
de como é o canto de um pássaro;
de como é o cheiro das flores e quão suave pode ser a brisa da manhã.

Estive acostumada à frieza de tudo 
do trato, do olhar e do toque;
Estive acostumada a não ser dada às emoções;
e o medo de tê-las invadia cada vez que o pensamento se achegava 
ao tempo em que com ele, a manhã se aproximava.

Hoje,a manhã  me parece inebriante.
E que permaneça!
assim como o calor do sol 
que nos aquece,
por mais um dia.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Identidade





De um modo pouco convencional,
Confesso não poder definir-me.
E nem poderia fazê-lo;
pois não chegaria nem perto de dizer quem realmente sou.
Não porque eu queira enganar-vos,
Mas sim,por quê eu realmente não saberia dizê-lo,
 e se tentasse,estaria enganando nos dois.
Só sei dizer que sou como uma pedra,
daquelas,que precisam ser lapidadas 
Sei,que sou um projeto;
Um rascunho,
Eu sou um rabisco em uma página em branco,
com linhas e mais linhas à minha inteira disposição.

Desabafo


Sinto que estou me matando,
Assim, morrendo bem lentamente.
Tomando doses homeopáticas de veneno.
Me sinto definhando,
sofrendo,
levando tudo nos ombros.
Sinto-me fechando os olhos,
o escuro está nascendo
e constantemente procuro sanidade neste intento.
Sinto-me partindo,
Caindo,flutuando.
A cada dia sinto que já não sinto,
e não sinto que seja  hora de ir.

Entrelinhas



Há uma palavra,
Uma palavra apenas.
Creio eu,se tratar de um verbo;
o qual não sei conjugar.
Há uma palavra
Uma palavra apenas
Creio eu,que pode ser um substantivo
Masculino. Quem sabe ?
Há uma palavra
Uma,apenas
Poderia ser um pronome
e por quê não ?
Ainda arrisco dizer que indica posse.
Mas fico em dúvida,
Afinal,
Existe uma palavra,
nos unindo e nos separando,
Uma palavra,
que em nosso meio se encontra 
Uma palavra.
A palavra.
Apenas Uma Palavra.
A nossa palavra,que permanecerá.