quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Anéis de Saturno



Em tom pessoal e sem poucas entrelinhas conto-te a real história da menina espacial.
Um dia ela fugiu de Saturno, depois de ter construído todos seus anéis.
(G.D.Cassini- Até parece!)(J.F.Encke- Mal sabia ele!)
Se cansou do tédio mortal e da gravidade perturbante
Queria conhecer a água,muita água, em estado líquido e ouviu falar da terra
Veio de foguete ou nave espacial.
Mas na babilônia, ela se perdeu, pecados de carne cometeu
Foi apedrejada, quase até a morte
(Mulher infiel).
Com medo e  assustada, ela fugiu pro lugar que realmente achou pertencer
E se as pessoas não compreendem sua alma dúbia,sua bipolaridade, sua excentricidade, suas curvas parabólicas de caráter,elas deveriam queimar nos sete infernos.
"Dois dedos e nada mais Juntos em sinal de silêncio
Sally,conhece o fogo?
Em tempo que as palavras não são mais do que palavras ,em tempo que dinheiro vale mais do que honra;
Conhece a inocência Sally?  Violaram-te alguma vez a alma?
Já irromperam teus sonhos infantis? 
Eis que doce são teus pensamentos e mais doces hão de ser teus desejos.
Conhece a vida sally? Já te arrancaram fora a língua por dizer o que pensa?"
Em seu interior se trancou, guardou a chave num lugar , que ninguém sabe dizer
O que ninguém sabe, é que, chave alguma sequer existiu.
Existem 18 luas, portas secretas e faces múltiplas.
Falsos são os homens com quem andas e mais falsas são suas intenções
O que não dizer de suas mil faces?
Qual face está usando hoje Sally?

*Hoje, Catherine, de mente, corpo e alma. Max contou-me que viajaria por um tempo- Destino: Saturno. -Missão: Desconstruir os anéis.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Maresia II


Seja pra mim o correr de águas cristalinas que convida
O sol que esquenta os frios de coração e afasta o arrepio dos pelos do corpo.
Seja como a areia  branca, que queimam e roçam os meus pés.
Dá-me a sensação de borboletas no estômago
Dê-me o arrepio de todas as minhas estruturas

"Os grãos levados pelo vento, chegam ao destino sem necessitar de orientação.
Os sábios,que na ciência procuram respostas, não encontrarão".

És como o balanço da rede amarrada ao coqueiro, num fim de tarde qualquer
És meu  ar, leve e denso em sua composição
És meu respirar profundo e aliviado.
És a canção que nas conchas está a se esconder.
És como um mergulho na profundidade do oceano.

"As ondas que batem na praia, tem sua trajetória definida desde quando se formam;
Os sábios que querem fazê-las mudar de rumo, falharão".

És como um anoitecer cheio de estrelas, 
Uma lua crescente que parece pintada no céu 
És meu sorriso, meu canto, a doçura que nunca possui.
Dá-me as flores que nascem no inverno
Dê-me todas as estações, que te darei o mundo.

"As estrelas não giram por acaso, elas tem seu ritmo, seu brilho, sua cor
Os sábios que em sua arrogância procuram  explicar o universo, um dia desistirão".

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Canção

Faça- me o dia como as noites
Um canção que não para de tocar
Seja selvagem. Tempestade que corre
Ímpetos.
E se te tenho aqui por um segundo
pense no sacrifício de deixar-te  ir como quem apenas se vai.
Porque não deixa-te prender à este chão?
se o resfôlego na nossa parada não é suficiente que seja então a presença de quem te suplica.
seja o canto escuro o recôndito de tua alma, seja talvez os campos que florescem na primavera
seja eu, teus pensamentos mais sórdidos ou  mais puros
e que vil, eu seja.
Não pense no que está perdido, tampouco no gelo que precisa ser quebrado
Apenas olhe as estrelas que estão a girar, Olhe o outro lado do mapa que estás a segurar
Conte do oriente até os confins desse universo
Que seja hoje, felicidade de outrora
Que venham bons ventos com bons presságios
Venham fagulhas do fogo que queima os pecados da carne
E que seja tu o primeiro a ser incendiado.
Venha de onde for andarilho errante, que a esmo lança seus passos
Seja a lança que espeta a carne da vítima
inocente ou culpada.
Apenas deita-te na relva verde que o chão, cobre
deixe que os teus olhos se fechem e  sonhe indo em direção ao Norte.
Onde tu me faz os dias como as noites
e deleitas-te no corpo que deseja.

Máscaras

Foram palavras escarradas.
Se não me falha e falta, memória desvairada.
Se faz presente em toda graça essa ausência de gentileza descompensada ou ironia escancarada.
E se realmente tem graça no rosto que cora
É alegria geral, quando estás a ir embora
Porém tristeza se faz presente, quando em casa, tarde se achega e chora.
És aquela que nas madrugadas perde o sono;
E entre quatro paredes conta lamúrias e penúrias
guardando pra si toda a sorte de suas fúrias.
Nada de silêncio!
Seja o grito que ressoa sem equívocos.
À vontade fique, e corte os pulsos das mãos que te apedrejam;
esquive das lâminas amoladas daqueles que te cortam
afia tua língua, que te protege
das palavras arremessadas mundo afora.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Maresia


Seja pra mim como o quase silêncio do mar numa noite tranquila
O canto do pássaro a festejar a chegada da primavera 
A chuva que cai no solo seco
O som da melodia que acalma os anjos.
"O Amor que brota do coração do sábio, traz de volta o sorriso perdido outrora 
e a gargalhada que foi levada pelo vento".
Seja pra mim o grito de liberdade, uma vez dada a alforria
Seja como o  fruto maduro que cai da árvore
O  rachar da superfície do ovo, que dá liberdade à cria
Seja singelo!
"As palavras que brotam do coração do sábio trazem de volta quem se perdeu no caminho
e os passos correm em direção ao vento".

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

147


Sentado num ponto qualquer, perdido à céu aberto
O coração disparava devido à arritmia e a respiração acelerava.
Eram 147 degraus! Isso mesmo - Cento e quarenta e sete.
Havia memorizado tantas as vezes em que havia descido e subido
De lá de cima tudo parecia miúdo, recortes de fotos colados uns por cima dos outros, formando tantas paisagens quanto fosse possível.
De lá de baixo o  céu parecia distante, pareciam ser seus sonhos, inalcançáveis.
(E quem disse que ele ainda os tinha?)
Havia deixado de sonhar quando o cansaço, a fome e o medo se abateram sobre ele
Deixou de curvar-se aos céus para clamar ajuda, pois dos  céus vinham somente os pingos.
Lágrimas dos falsos deuses.
Poderia ser meu, o desejo que tu crie asas de anjo
Poderia ser meu, o desejo que liberta-se 
Mas não desejo a ti, nada que te faça livre
Desejo somente prender-te, acorrentar-te aos meus pés e arrastar-te comigo a subir e descer todos aqueles degraus, por todos os dias.
Serei o inferno de tua mente que divaga 
Serás meu prisioneiro que perdeu a batalha
Mesmo que as irmãs clamem por tua vida
Mesmo que o céu pare de gotejar; Que o sol tome conta da imensidão cinza
Eu não  abrirei mão de a ti, possuir
Pois sou erva daninha de tua colheita, sou a doença que invade tuas veias
Sou teu murmúrio , teu lamento, teu atraso 
Teu fim.